Texto e fotos: Kadu Pinheiro

Noronha é apaixonante, um pedaço do Brasil abençoado pela natureza, tudo aquilo que você já ouviu falar da ilha é verdade, e muito mais, paisagens de tirar o fôlego não deixam nada a desejar para qualquer outro lugar paradisíaco do planeta.

Localizada no topo de uma montanha submarina de origem vulcânica, o arquipélago de Fernando de Noronha é formado por 18 ilhas, todas em território brasileiro. A 360 km de Natal (RN) e a 545 km de Recife (PE), Noronha tem 26 km² de fauna e flora exuberantes.

Reconhecido pela beleza natural, Noronha conta com iniciativas sustentáveis de proteção ambiental como a Área de Proteção Ambiental e o parque nacional Marinho, criados para preservar ecossistemas naturais. Das 17 espécies de corais encontrados no Brasil, 15 estão em Noronha. 

Gameleira e burra-leiteira fazem parte da vegetação local e, animais como a tartaruga-verde o golfinho-rotador e diversas espécies de tubarões  fazem parte do ecossistema marinho da ilha, aliás não posso deixar de comentar que Noronha é um dos pouquíssimos lugares do Brasil onde é possível cruzar com tubarões com relativa facilidade, alguns anos atras a quantidade de avistagens foi drasticamente reduzida devido a pesca desenfreada e a falta de consciência por parte da comunidade pesqueira da região, hoje em dia creio que essa realidade vem mudando positivamente, pois em uma semana de mergulhos em diversos pontos tanto no mar de dentro quanto no mar de fora, tive o prazer de encontrar e registrar tubarões em pelo menos 4 ou 5 mergulhos, o fato é que em sua grande maioria eram filhotes e bem ariscos, mas presentes e voltando a popular os pontos de mergulho da ilha como no passado.

Mas ainda não posso deixar de citar um fato curioso e completamente fora de contexto no mundo de hoje, o tal do Bolinho de tubalhao, servido no restaurante ao lado do museu do tubarão, fica aqui uma provocação e um lembrete visto que essa aberração já foi amplamente discutida em diversas oportunidades, não existe proibição da pesca e do consumo de carne de tubarão no Brasil, mas um lugar onde parte da mágica e da expectativa de turistas e mergulhadores é justamente poder avistar e ou mergulhar com esses animais o que implica na diretiva máxima de que o animal precisa estar presente no ecossistema, um lugar que ainda incentive o consumo desse tipo de alimento, mesmo sabendo da fragilidade do mesmo no mundo todo, (mais de 90% da população de tubarões foi simplesmente exterminada da face da terra nos últimos anos) é inaceitável permanecer com a mesma lógica independente do que se diz quanto a procedência do mesmo, fica aqui um apelo aos futuros turistas e mergulhadores a visitarem o arquipélago, não consumam a carne de tubarão nem em Noronha e nem em qualquer outro lugar, a espécie precisa se recuperar, tubarões são o topo da cadeia alimentar dos oceanos e sua ausência pode implicar no total desequilíbrio dos oceanos em um curtíssimo espaço de tempo, o que traria efeitos devastadores até para nos, humanos que dependem do mar para viver.

A ilha possui pousadas de diversos padrões, desde as mais simples até as mais luxuosas como a famosa pousada do Zé Maria, visita indispensável na ilha mesmo que seja somente para usufruir de um jantar no maravilhoso restaurante dentro das instalações da pousada.

Noronha não é uma ilha barata, come-se muito bem no geral, havendo algumas opções mais economicas, bom pesquisar antes de estabelecer um roteiro gastronomico.

Alugar um veículo é quase que indispensável para quem pretende realmente conhecer um pouco da ilha e usufruir de suas belezas naturais com mais liberdade e comodidade, cuidado ao contratar o serviço, pois no geral o barato sai bem caro, procure alugar o veículo em um estabelecimento oficial que possa lhe dar suporte e fornecer veículos em condições de trafegar de forma segura, (principalmente se for um “buggy” o mais comum da ilha) opções baratas são abundantes na rua, mas fica por sua conta e risco.

Pontos de interesse:

Praia do Sancho: um snorkel e um visual imperdíveis, considerada uma das mais belas praias do mundo, fomos lá conferir mais de uma vez e concordamos !!

  • Mirante dos Golfinhos
  • Por do Sol no Forte na Praia do Cachorro
  • Buraco da Raquel

Os mergulhos:

Mar de dentro:

Como convidado da Atlantis, e abordo de um dos melhores barcos para mergulho da ilha, passamos uma semana explorando os pontos do mar de dentro em companhia da equipe do Diving College de São Paulo e tendo como guia o famoso “Maneco” experiente guia e Instrutor de mergulho da Atlantis, que também nos acompanhou no mergulho na corveta V17.

Desde os mergulhos mais simples até nos mais distantes e badalados é possível avistar muita vida grande e pequena, em nosso primeiro mergulho na ilha tive a sorte de ser acompanhado por um enorme grupo de golfinhos rotadores. Logo na entrada do canal da rata um grupo com mais de 200 indivíduos passou bem próximo, encontro inesquecível para abrir a semana com o pé direito.

os mergulhos do lado de dentro da ilha são muito bons, tartarugas e arraias prego gigantes são quase garantidos, assim como o amistoso tubarão lixa que marcou presença em diversos mergulhos hora nadando calmamente bem próximo dos mergulhadores hora descansando abaixo de alguma gruta, os bicos finos ou tubarões cinzentos de recife também mostraram a cara mais de uma vez, mais tímidos verdade, mas não menos majestosos, soma-se a isso tudo enormes barracudas, cardumes de xareus, parus e toda sorte de peixes de passagem, com visibilidade que sempre beirava os 30 metros, (a agua não estava das melhores meio turva e com muita suspensão e ainda sim com incrível transparência)

Corveta V17

O mergulho na Corveta V17 ou Ipiranga é considerado um dos melhores mergulhos em naufrágio de todo o mundo. Após uma colisão acidental no Cabeço da Sapata a Corveta V17 acabou afundando quando navegava em direção ao Porto de Santo Antonio. Hoje ela se encontra em posição de navegação repousando num fundo de areia aos 62 metros de profundidade. Moradia de diversas espécies de peixes e corais sempre nos reserva surpresas, a visibilidade é impressionante a partir dos 30 metros de profundidade já possível avistar a Corveta inteirinha, devido a seu excelente estado de conservação e a posição de navegação na qual se encontra no fundo a penetração é quase um convite explícito, mas para tal é necessário um planejamento prévio, como estávamos acompanhados de turistas o perfil do  mergulho foi ligth e pude visitar a cabine de comando da embarcação e percorrer todo o convés, destaques para o canhão e para a cabine de comando ainda muito preservada e com diversos equipamentos ainda intactos, ao final do mergulho ainda fomos brindados com uma “esquadrilha” de 11 raias xitas que passaram sobre o convés enquanto subíamos no cabo, muito longe para uma boa foto, mas ficou na memória para sempre. Ainda em ótimo grau de conservação a Corveta, sem sombra de dúvida pode ser considerada um dos melhores mergulhos em naufrágio do mundo.

Mar de fora

Dentre as dezenas de pontos localizados no mar de fora tive a oportunidade de conhecer 2 deles, sendo que um deles ainda inédito. A convite da Noronha Divers e tendo como Guia o Fernando um dos mais conceituados mergulhadores e exploradores da ilha, fizemos nosso primeiro mergulho num ponto recentemente descoberto chamado de Laje de Noronha, simplesmente incrível a quantidade de peixes que circulam por esse lajeado a 30 metros de profundidade, é um mergulho profundo e de perfil quadrado onde mantemos constante a profundidade entre 30 e 28 metros sendo extremamente recomendado o uso de uma mistura de Nitrox, nosso perfil foi um pouco mais confortável já que estava usando uma dupla e o Fernando um Rebreather o que nos possibilitou explorar com mais calma e usufruir de um mergulho com muito mais tempo de fundo produzindo belas imagens na companhia de Tubarões, arraias e tartarugas.

Para encerrar o dia e minha semana de mergulhos com chave de ouro, pedras secas I foi o ponto escolhido, para nosso segundo mergulho, com uma profundidade pequena e com suas formações e canions que convidam a exploração pude produzir belíssimas imagens desse ponto que também é muito rico em vida marinha

Um pouco de história:

A ocupação de Fernando de Noronha é quase tão antiga quanto a do continente. Em decorrência da sua posição geográfica, o arquipélago foi uma das primeiras terras localizadas no Novo Mundo, registrada em carta náutica no ano de 1500 pelo cartógrafo espanhol Juan de La Cosa e em 1502 pelo português Alberto Cantino, neste com o nome “Quaresma”.

Sua descoberta, em 1503, é atribuida ao navegador Américo Vespúcio, participante da segunda expedição exploratória às costas brasileiras, comandada por Gonçalo Coelho e financiada pelo fidalgo português Fernão de Loronha, cristão novo, arrendatário de extração de Pau-Brasil.     

“O paraíso é aqui.” Assim Américo Vespúcio descreveu o Ilha em 1503, que chamou de São Lourenço .

“O paraíso é aqui”, disse Vespúcio quando abordou aquela ilha deserta em l0 de agosto de 1503, logo após o naufrágio da principal nau das seis que compunham a expedição. A carta que escreveu, a LETTERA, é o primeiro documento relativo à Ilha, a qual chamava de São Lourenço, fala de “infinitas águas e infinitas árvores; aves muito mansas, que vinham comer às mãos; um boníssimo porto que foi bom para toda a tripulação”. Em decorrência da descoberta, em 1504, foi doada a Fernão de Loronha, que havia financiado a expedição. Foi a primeira Capitania Hereditária do Brasil, porém jamais ocupada pelo seu donatário.

Invasões estrangeiras

Abandonada por mais de dois séculos e situada na rota das grandes navegações, foi abordada por muitos povos, sendo ocupada temporariamente no século XVII por holandeses (que a chamaram “Pavônia”) e no século XVIII por franceses (que a rebatizaram de “Ile Delphine”).

Esse ponto vulnerável a invasões motivou a definitiva ocupação por Portugal, através da Capitania de Pernambuco, a partir de 1737, sendo construído o sistema defensivo com dez fortificações – “o maior sistema fortificado do século XVIII no Brasil” -, dentre os quais a Fortaleza de N.Sª dos Remédios. A maioria desses fortes estão de pé ainda hoje e dos demais restam evidências arqueológicas.

Na mesma época, o Arquipélago transformava-se num Presídio Comum, para presos condenados a longas penas. Foram esses presidiários a mão-de-obra que ergueram todo o patrimônio edificado e o sistema viário que interliga vilas e fortes. O cruel regime possuía até mesmo solitárias e leitos de pedra, nos quais o prisioneiro mal podia se virar de lado.

Por medida disciplinar, a fim de evitarem-se fugas e esconderijos de presos, desde essa época a vegetação original foi sendo derrubada, alterando o clima do arquipélago. Por essa razão, somente em alguns locais da ilha pode ser vista um pouco da cobertura vegetal original, como na Ponta da Sapata, na encosta do Morro do Pico e nos mirantes do Sancho, Baía dos Golfinhos e Praia do Leão.

Interesse Científico

Cientistas ilustres visitaram o arquipélago em diversas épocas, como o naturalista Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução das Espécies, em 1832. Todos foram atraídos pela sua grande biodiversidade e levantaram dados sobre o meio ambiente, descrevendo-o em trabalhos memoráveis. Também no século XIX, artistas como os franceses Debret e Laissaily registraram em tela a ocupação humana.

Período Militar

Em 1938 o Arquipélago foi cedido à União, para a instalação de um Presídio Político. Em 1942, durante a II Guerra Mundial, criava-se o Território Federal Militar, juntamente com o Destacamento Misto de Guerra e a aliança com a Marinha norte-americana, que instalou na ilha uma Base de Apoio, com cerca de 300 homens.

Nesse período, uma superpopulação de mais de 3.000 expedicionários condicionaram a construção de casas pré-moldadas, para abrigá-los. De 1942 a 1988, a ilha foi administrada por militares: Exército, até 1981; Aeronáutica, até 1986; e EMFA, até 1987. Ainda território federal passou para o MINTER, tendo o seu único Governador Civil. Nesse período, entre 1957 e 1965, houve uma nova presença americana, no Posto de Observação de Mísseis Teleguiados.

Em 1988, por força da Constituinte, foi reintegrado ao Estado de Pernambuco, sendo hoje um Distrito Estadual. Também em 1988 foi criado o Parque Nacional Marinho, coexistindo, no espaço de 26 km², o PARNAMAR/FN e a Área de Proteção Ambiental estadual.

Em 13 de dezembro de 2001, a UNESCO considerou o arquipélago SÍTIO DO PATRIMÔNIO MUNDIAL NATURAL, tendo o diploma sido entregue em 27 de dezembro de 2002. Em 2003, comemorou-se 500 anos da entrada de Fernando de Noronha na história dos homens. 500 anos da sua primeira abordagem, de sua descrição, por um dos maiores navegadores da história, Américo Vespúcio.

Como chegar:

De avião, há vôos diários de Recife pela GOL. Cerca de uma hora e meia de viagem.

De barco, também é possível visitar o arquipélago a bordo de cruzeiros que visitam a ilha com alguma regularidade.

Temperatura média de 26° C e clima úmido tropical, Fernando de Noronha cobra uma taxa de preservação ambiental para a manutenção das condições ambientais e ecológicas. Para evitar filas ao chegar, o pagamento pode ser efetuado pela internet no www.noronha.pe.gov.br. Abaixo, a tabela de preços.

Atlantis:

A Atlantis oferece uma excelente estrutura para atender ao mergulhador em Noronha, uma grande loja com variedade de equipamentos, roupas e acessórios, área com internet gratuita para clientes, além de excelente espaço para ministrar cursos e palestras.

Com staff altamente capacitado, preparada para realizar mergulhos técnicos com misturas de gases e explorações de novos pontos e seguindo modelos de gestão internacionais a Atlantis é sem dúvida uma das operadoras mais profissionais do Brasil.

Dicas

  • Nas caminhadas, trilhas e passeios é aconselhável usar um calçado adequado (pois se caminha muito). Usar roupas leves, protetor solar e chapéu. Levar sempre água e dinheiro.
  • Sempre que for à praia leve máscara e snorkel, pois pode “pintar” um mergulho rápido, principalmente na praia do Sueste e do Sancho.
  • O fornecimento de energia elétrica da ilha é 220v.
  • Há uma agência do Banco Real, Banco Postal (BRADESCO em convênio com os Correios ECT) e terminal eletrônico da Caixa Econômica Federal num supermercado da Ilha, além disso, é raro que se aceitem cartões de crédito, é difícil trocarem grandes somas de moeda estrangeira. Por isso é bom levar dinheiro, um detalhe durante a semana em que estivemos na ilha nenhum dos caixas eletrônicos estava funcionando.
  • O fuso horário de Fernando de Noronha é uma hora a mais em relação à hora de Brasília.
  • Leve guarda sol, pois as sombras são raras e não há o serviço de aluguel nas praias.
  • Respeite as sinalizações do IBAMA, assim você facilita sua vida no arquipélago e evita problemas com os fiscais da ilha.
  • A vida noturna de Noronha não é muito agitada existe o Bar do Cachorro aberto todos os dias (forró pé de serra de segunda e sexta) e Pizzaria massa da ilha (sábado com reggae ao vivo e domingo samba de roda).

Abertura de Ninho: passeio realizado entre os meses de Março e Junho. Essa atividade costuma ocorrer uma vez por semana na Praia do Leão, sempre às 17h30, e consiste em abrir um ninho de tartaruga e realizar a soltura dos filhotes para que os visitantes possam acompanhá-los em direção ao mar. A cada abertura são soltos aproximadamente 50 filhotes. Atividade gratuita e aberta ao público, emocionante para as crianças e impressionante de ver como as pessoas se esforçam para manter as aves distantes, se revoltando quando alguma tartaruguinha é pega, mas isso faz parte do processo de seleção natural e não nos cabe intervir.

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