Cuba… sempre presente em diversas revistas de mergulhos, mas nunca como assunto “batido”. Isso porque Cuba é a maior ilha do Caribe, banhada pelo Golfo do México ao Norte e Oeste, pelo Atlântico a Nordeste e pelo Mar do Caribe ao Sul, compondo um arquipélogo com quase 4200 ilhas e “cayos”, em sua maioria pouco exploradas e repletas de surpresas, ou seja, um paraíso para os amantes do mergulho. Oficialmente, são 24 zonas de mergulho espalhadas por toda a ilha. Também oficialmente há uma média de 38 pontos de mergulho por zona, o que dá aproximadamente 840 pontos de mergulho ! Ou seja, dá para escrever muito sobre Cuba sem repetir mergulhos !

Ir a Cuba é uma delícia e são raros os mergulhadores que de lá chegam sem pensar em voltar. Uma ilha quase mística, devido as suas duas história oficiais, a de colonização e do comunismo, mas que os cubanos também dividem agora entre antes e depois da União Soviética. Quando a URSS deixou de injetar dinheiro em Cuba, veio um periodo difícil, mas que para nós mergulhadores foi ótimo, pois o turismo foi e é hoje o principal fator econômico da ilha. Esta cultura política deixou um país repleto de monumentos, carros antigos, e jeito de viver que o planeta experimentava na década de 50. Some-se a isso um povo divertido, que atende bem, extremamente musical e alegre. E muito, muito mergulho.

REDESCUBRINDO SANTA LUCÍA

Sempre em busca de novos e velhos destinos de mergulho nossa equipe foi a Cuba conhecer uma das regiões mais interessantes do arquipélago: a Praia de Santa Lucía, famosa por seus mergulhos com tubarões cabeça chata ou “tiburón toro”, como é localmente conhecido. Fomos comprovar que a região é maravilhosa não somente pela possibilidade de encontrar essas fantásticas criaturas, mas também por seus belos recifes de corais e paredes repletas de esponjas, muitos peixes coloridos, cardumes, naufrágios e tudo o mais que um destino de mergulho completo pode oferecer.

Santa Lucía está situada à 550km de Havana, no Norte da Província de Camagüey, com seu rosto virado para o Oceâno Atlantico, com uma praia de areias finas e brancas deslumbrante, que chega a 20km de extensão, protegida por uma barreira coralinea que fica entre 200 e 400 m de suas areias. Esse recife se extende para os dois lados de Santa Lucia, tornando-se uma das maiores barreiras de Corais do planeta.

Nesta barreira que concentramos nossos mergulhos, pois este aquário natural nos ofereceu mais de 50 tipos de corais, 200 de esponjas e mais de 500 espécies de peixes tropicais. Mas o homem “contribuiu” ainda com mais 4 naufrágios que repousam em seus bancos de corais ou paredes. São 35 pontos de mergulho que variam de 3 a 25 minutos de navegação, e 4 deles no Canal da Baía de Nuevitas, alcançados por carro para um mergulho de costa, onde dois pontos nos deixaram extasiados !

Os 4 naufrágios são o Mortera e Pizarro, ambos do século XIX e em excelente estado de conservação, o Sabinal e um dos mais bonitos e interessantes, o Nuestra Señora de Alta Gracia, que tem seu casco apoiado aos 27m entre corais extremamente ricos. Trata-se de um rebocador de aço de 40m, bastante inteiro, onde se pode conhecer com certa facilidade sua casa de máquinas e superestrutura, e dos quais varias fotos ilustram esta matéria.

Outros pontos da barreira em frente a praia atraem mergulhadores por seus canions com areia branca ao fundo, e suas grutas, pequenas porém bem iluminadas, como os pontos Cañon I, II, III e IV, Cueva Chiquita e Cueva Honda. Ali entre peixes de coral encontram-se graciosas raias nos fundos de areia e o tubarão-gato, e sempre tartarugas passando muito próximo dos mergulhadores. Outros pontos que os guias fazem questão de nos mostrar são Las Mantas, Las Joventinas I, II e III, e Poseidón, que encantam por todo o conjunto descrito até aqui, com uma qualidade de preservação de seus corais que nos deixou felizes de entender como o “isolamento” político de Cuba, e portanto, poucos pesqueiros e mergulhadores na água, em comparação com outros destinos do planeta, deixaram aquilo tudo tão preservado.

Mas as melhores surpresas ainda estavam por vir. Note nestas fotos o colorido das paredes, e claro, o “grande encontro” que Santa Lucía nos revelaria ainda. Há 30 minutos de nosso hotel, por uma estrada de areia, chega-se ao Canal da Baía de Nuevitas. Lá há 4 pontos de mergulho, Las Ânforas, Biosca Stone, Sharks e o naufrágio Mortera. Caímos primeiro em Sharks, que apesar do nome, não revelou nenhum tubarão, mas uma das paredes mais coloridas que tivemos o prazer de conhecer no planeta (o que inclui comparações com o Mar Vermelho, a Grande Barreira Australiana e outros locais de paredes famosas). O Kadu, que assina estas fotos, não conseguia dizer poucos palavrões para descrever a surpresa, quando tirou o regulador da boca no final do mergulho…

Este mergulho é feito de acordo com a maré, por isso, pode acontecer uma ou duas vezes por dia, sempre que ela sobe, pois o mergulho é feito sempre da entrada para dentro do coral. Terminamos esse “drift” num pequeno píer construído para entrada e saída de mergulhadores na água. Ali fizemos um pequeno intervalo de superfície, e já ao entardecer, mas ainda num mergulho diurno, caímos para fazer o naufrágio Mortera.

O mergulho é assim: entra-se na água e logo aos 8 metros deparamos com a proa do naufrágio, que está pendurado numa parede levemente inclinada, terminando aos 27m de profundidade na popa do barco. Descemos por boreste, protegendo-se da leve corrente pelo casco do navio. Ali no fundo acontece o grande show de Santa Lucía. Nesta profundidade, entre a popa e uma pequena parte da superestrutura do navio que caiu no fundo, há um verdadeiro anfi-teatro, onde os guias, com pequenos pedaços de peixe fresco, fazem um controvertido feeding, sem proteção alguma, alimentando os tubarões cabeça chata, alguns com mais de 2 metros. Isso ainda atrai uma enorme moréia verde, que mora nos destroços, que já “brinca” com os guias passando entre suas pernas, sabendo bem quem é a dona da casa.

Esta interação não ocorre o ano todo, sendo que o mês de abril é um dos períodos, e segundo o pessoal do Shark Friends, nossa operadora em Santa Lucía, a maior temporada é entre os meses de novembro e início de fevereiro. Segundo Macao, o extrovertido chefe da operação de mergulho de uma equipe sempre muito bem disposta a mergulhar: “se você quer acertar, venha entre dezembro e o meio de janeiro”.

 Mesmo que não seja a época, o mergulho na região nos deixou muito motivados. Esperamos que com esta matéria, mais brasileiros e sulamericanos vão até lá para confirmar nossas informações. O ponto já foi uma especialidade no nosso país, na época em que o fotógrafo Fernando Kuramoto era carinhosamente apelidade de “Cubamoto”, e levava muita gente pra conhecer o local. Fica o convite para o “redescubrimento de Santa Lucía”.

PARA A FAMÍLIA

Cuba tem a caracteristica de atender diferentes tipos de turistas. A mistura da histórica e  musical Havana (não dá para ir a Cuba sem ao menos 2 noites em sua capital), com a dupla sol e mar de toda a ilha em qualquer época do ano, e  com tantas possibilidades de mergulho, fazem com que a maioria dos pontos de mergulho de Cuba sejam também para levar a sua família, incluindo os “estranhos” não mergulhadores. Claro que isso é uma brincadeira, mas que mostra a realidade constante e que tivemos o prazer de notar em nossa estada em Santa Lucía.

Um total de 4 hotéis nos 20km de praia, de diferentes categorias, atendem todos a um número grande de famílias. Se o pai ou a mãe (ou ambos) mergulham, há pessoas dedicadas a cuidar das crianças, com múltiplas atividades durante o dia. Pode colocar nos seu plano de viagens levar todo mundo junto. Estes hotéis também recebem muito bem grupos de mergulhadores que vão com seus Dive Centers.

As atividades em Santa Lucía incluem além do mergulho, snorkeling nos recifes de coral, levados por bons e confortáveis catamarãs, vela, pesca esportiva e outros esportes, em especial o windsurf que conta com ventos em média de 14 km podendo alcançar até 24 km, principalmente entre novembro e fevereiro. Há sempre muitos praticantes de kitesurf, mas a dica: traga seu próprio equipamento, pois não há locação disponível no local.

A oeste de Santa Lucía se pode visitar as ilhas chamadas de  “cayos”: Sabinal, Romano e Cruz constituindo uma extraordinária reserva natural, habitat da maior colônia de flamingos rosados do Caribe e com visuais, incluindo alguns dos pôres de sol, mais bonitos que verá na sua vida.

NOSSOS AGRADECIMENTOS !

Nossa equipe visitou Santa Lucía a convite da Operadora de Turismo Cubatur, uma das maiores e mais antigas de Cuba, que organizou com a Arribatur todo o roteiro.

Para se chegar a Santa Lucia pode se usar a estrada, locando um carro ou contratando um transfer em Havana. Como são 550 km pela “carretera principal”, é uma viagem longa, e se a opção for ir de carro, programe paradas e fazer em 2 ou 3 dias, já que tem-se muito para conhecer no interior de Cuba, especialmente o estilo de vida pacato do local, combinado com praias lindas. O mais fácil é ir de avião, a partir de Havana. São 3 opções para chegada: Holgín, Cayo Coco ou Camagüey, esta última a mais fácil, pois seu aeroporto fica a 128km de Santa Lucía por uma estrada muito boa.

Centro de Mergulho “Shark Friends”

Fica no hotel Brisas Santa Lucía, com quatro embarcações (duas para oito mergulhadores, uma para quinze e uma para vinte). Possui dois compressores Bauer de alta capacidade, que enchem os 100 cilindros S80 de alumínio e principalmente cilindros de aço de 12 litros, ambos com sistemas Internacional e Din de conexão do seu regulador.

Os equipamentos são Cressi e Scubapro, em bom estado de conservação, e estão incluídos (coletes e reguladores) no valor do pacote de mergulho que escolher. Isso é relativamente importante, pois os vôos que chegam de Havana permitem 20kg de bagagens no total.

Há saídas para um ou dois mergulhos embarcados, saídas para noturnos na barreira de corais, e as saídas especiais de carro até o canal.

O Chefe de Operações é o extrovertido Macao, sempre disposto a um bom papo, durante a navegação ou no café do hotel, que inclui mergulho mas também a cultura geral do local e da Ilha.

Hotel Brisas Santa Lucia

O hotel é o melhor da região na nossa opinião (conhecemos todos). Sua arquitetura combina elementos coloniais e caribenhos, rodeado por coqueiros, palmeiras e flores. É ideal para famílias em busca de uma experiência completa, onde tanto mergulhadores e não mergulhadores podem usufruir plenamente do local. Compreende um total de 412 quartos, dos quais 8 suites, 4 adaptados para deficientes e 400 standard, 74 dos quais com porta comunicante e 31 com camas kingsize. As comodidades incluem um hall de entrada com recepção e serviço 24 h, restaurante, bar, café, acesso à Internet (pago em computadores no lobby), sala para jogos, cofre e casa de cambio. Conta ainda com uma discoteca e um mini-clube. O serviço de lavandaria é outra opção cobrada a parte. Existem também possibilidades de estacionamento, para quem vem de carro de outras localidades de Cuba O hotel encontra-se apenas a cerca de 90 minutos de viagem da antiga cidade colonial de Camagüey e do seu aeroporto internacional. O sistema de bebidas e comidas é o “All Inclusive”, com diferentes restaurantes com comida típica, comida internacional, pizzas e hamburguers, sorvetes, sendo muito satisfatório pra uma estada de uma semana, na nossa opinião, o mínimo para conhecer o melhor do mergulho local.

VAI LÁ

Na matéria você já descobriu o que ver e fazer em Santa Lucía, a época para ir, onde ficar e com quem mergulhar. Há muitas maneiras de se chegar em Cuba, e Santa Lucía conta com vôos diretos do Canadá, Italia e Argentina. De outros pontos de partida, como o Brasil, chega-se em Havana, para de lá voar ou dirigir até Santa Lucía.

O ponto está sendo como dissemos, redescoberto por muita gente. A Azul Profundo é especialista no local, mas não vende os seus pacotes diretamente para os mergulhadores. Fale com seu Dive Center, que ele organizará junto com a operadora o melhor roteiro para isso.

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