CUBA E O ARQUIPÉLAGO DE CANARREOS e o seu maior ícone, a “Isla de la Juventud”

UM PARAÍSO REDESCOBERTO

Ícone de uma época de ouro para o mergulho brasileiro, a Ilha da Juventude foi um dos destinos mais visitados por mergulhadores tupiniquins, e o destino preferido de muitas escolas de mergulho durante muito tempo. Tudo sempre acontecia num dos primeiros “dive resorts” do planeta, o El CIB El Colony (“CIB” de Centro Internacional de Buceo). De lá partiam lanchas rápidas para a famosa “Punta Frances”, uma extensão fina da Ilha da Juventude no lado oeste do seu território.

Como única opção de mergulho, e capacidade para atender quando lotado, apenas duas ou três embarcações, e com 56 pontos de mergulho, sempre foi um paraíso. Mas a decadência deste destino foi marcante, principalmente nos últimos 10 anos. Isso porque o Hotel El Colony sofreu fortemente com a falta de investimentos, seus quartos, mesmo a ala “nova”, e principalmente a comida servida, fez com que os mergulhadores fossem aos poucos abandonando este “spot de mergulho”, principalmente porque outros destinos em Cuba, com algum ou muito investimento estrangeiro, suplantaram a demanda de mergulhadores do Brasil e do resto do mundo deixando este paraíso esquecido.

Mas as belezas continuam lá, já que se trata de uma ilha com mais da metade de seu território totalmente virgem, incluindo suas águas extremamente azuis e atraentes. E com uma novíssima e excepcional notícia: a já famosa no Brasil operação da Avalon, responsável pelos mergulhos em Jardines de La reina e Cayo Largo del Sur, iniciou uma pioneira operação de mergulho na Ilha da Juventude levando seu Live Aboard MV Georgiana para as águas azuis da ilha mais histórica do mergulho cubano.

Confesso que fiquei super entusiasmado com o convite da Squallo Dive Expedition, que promoveu o primeiro Fam Trip para essa nova operação, a bordo de um barco bem equipado e confortável, com 6 cabines triplas com banheiro, acomodando 18 mergulhadores, que recebem o já conhecido carinho dos cubanos que trabalham com mergulho, com uma qualidade européia de serviços, que é a marca registrada da operação da Avalon em seus outros destinos.

A ILHA DA JUVENTUDE DE UM JEITO TOTALMENTE NOVO

Famosa por ser um dos últimos bastiões do socialismo no planeta, Cuba é acima de tudo um lugar privilegiado pela natureza. Seus mares já foram palco de muitas histórias de piratas e revoluções, mas hoje são dominados por outros seres: mergulhadores do mundo todo que vêm desfrutar de suas águas quentes e azuis.

O arquipélago cubano é composto por aproximadamente 4195 ilhas, e a Ilha da Juventude, cuja capital é Nuova Gerona, é a segunda maior das ilhas habitadas do arquipélago de Cuba, e a maior do Arquipélago de Canarreos, que comporta mais de 350 ilhas, entre elas as de Cayo Largo del Sur, outro destino “carimbado” em diversos passaportes de mergulhadores brasileiros. Possui em torno de 75.000 habitantes e  está localizada a sudoeste da ilha principal de Cuba. Este é um lugar rústico, uma ilha quase selvagem e sem grande desenvolvimento, com pouco turismo, a não ser por jovens que vêm de vários lugares do mundo para frequentar seu polo universitário, com mais de 3 mil alunos.

É uma ilha onde se pode desfrutar da “Playa Bibijagua”, de areia vulcânica preta, de edifícios emblemáticos, como a Penitenciária Modelo, onde estiveram prisioneiros famosos como Fidel Castro e seu irmão Raúl, além de Ché Guevara, e outros lugares naturais, como o Pântano Lanier, ou as Grutas de Ponta del Este.

A Ilha da Juventude foi fonte de inspiração para Robert Louis Stevenson escrever o clássico da literatura A Ilha do Tesouro, em 1883. Muita gente ainda acredita que em algum lugar do mar turquesa desta ilha esteja escondido o baú do tesouro do Capitão Morgan. Se ninguém ainda encontrou o tal tesouro, outras riquezas estão bem a vista para quem quiser ver: as belezas naturais da Ilha da Juventude.

PROTEÇÃO E OS MERGULHOS

A ilha agora é um área protegida, não sendo permitido mais a pesca e os pontos de mergulho estão recuperando todo seu esplendor, e fora o Hotel El Colony, base de mergulho nos tempos áureos, os pontos de mergulho estão praticamente intocados há mais de 10 anos, além de muitos outros pontos que estão sendo explorados e descobertos pela facilidade da operação no liveaboard MV Giorgiana.

O agora Parque Nacional Marinho “Punta Francés”, base de entretenimento e cenário assíduo no passado de competições de fotografia subaquática, tendo recebido 1 mundial e 3 campeonatos locais, possui 56 pontos demarcados e visibilidade privilegiada. A temperatura da água é agradável durante o ano inteiro, girando em torno de 29 graus, com corais preservados e variedade de perfis de mergulhos. Há pontos rasos ou profundos com paredões que despencam até 2.700 metros, mais de 20 cavernas coralíneas que são verdadeiras “catedrais” subaquáticas, e até alguns naufrágios, especialmente em Cayo los Indios, que conta com pontos com até 3 barcos naufragados lado a lado. Quem mergulhou comigo por lá se encantou com a quantidade de peixes. Carolina Schrappe, da Acquanauta Mergulho de Curitiba, considerou o ponto com mais vida que o próprio Jardines de La Reina, e um cenário desenhado por inúmeras gorgônias e corais multi coloridos difíceis de encontrar em outros pontos do Caribe.

Além destes mais de 50 pontos da Ponta Francês, Cayo Los Indios é também visitado pelo Live Aboard. Tratam-se de paredões verticais com a presença de grandes cabeços de corais, interrompidos por verdadeiras “avenidas” de areias muito brancas. Em Los Indios fizemos ainda 3 naufrágios, 2 dos quais fragatas russas “emprestadas” para a prática de “tiro ao alvo” pela esquadra aérea cubana, nos tempos em que a ainda União Soviética era o principal parceiro cubano. Elas estão em “T”, num dos mergulhos mais rasos, e portanto, iluminadamente coloridos de toda Cuba.

Alguns pontos de mergulho que tivemos o prazer de visitar em nossa redescoberta da ilha:

  • Boia 6 – El Mirador
  • Boia 36 – Paraíso del Muke
  • Bioa 40 – Reino do Saara
  • Cayo Los Indios
  • Naufrágio Sparta
  • Boia56 – La pequena Parede
  • Boia 7 – Cueva Azul
  • Unlimited
  • Carrilon
  • Cayo los Indios
  • Naufrágio Rio Jibacoa
  • Unlimited 2
  • boia 08 – Salon maravihoso

É ENCANTADOR SER GUIADO POR LENDAS DO MERGULHO CARIBENHO

Uma das lendas vivas da ilha é o Instrutor de Mergulho cubano José Ramon Larralde, ou simplesmente Larry. Com 58 anos de idade, ele mergulha desde 1977, sendo Instrutor ACUC, CMAS, NAUI e SSI , além de ter atuado 5 anos como mergulhador da Marinha, escafandrista e mergulhador SCUBA. Larry foi o explorador da maioria dos pontos de mergulho hoje visitados na Ilha, e o único mergulhador ativo da época da fundação do El Colony.

Uma pessoa singular, de uma calma inabalável, praticamente não respira debaixo da água. Mergulhou com Hans Hass, Biólogo e cinegrafista austríaco, um dos precursores do mergulho autônomo, e também com o lendário Jacques-Yves Cousteau, que dispensa apresentações, explorando as belezas da Ilha da Juventude. Larry ainda foi mergulhador de segurança da lenda do mergulho livre cubano, Debora Andollo, tendo mergulhado a mais de 100 metros de profundidade com ar, uma loucura até para os mergulhadores mais radicais de hoje em dia.

Hoje Larry hoje atua como guia de mergulho na operação do MV Georgiana, e nosso papo o levou as lágrimas, de tanta alegria de poder participar destes novos tempos do mergulho na sua amada Ilha da Juventude. Parece que a palavra “juventude” da ilha invadiu seu peito ao poder novamente receber mergulhadores de todo o mundo, com a disposição “rejuvenescida” como a de um garoto.

AGRADECIMENTOS AOS AMIGOS QUE FIZERAM PARTE DA “RE”DESCOBERTA

Fizeram parte dessa viagem:

Lurdinha Parra, da Staff Divers de São Paulo, pessoa maravilhosa e cheia de vida que do alto de sua “pouca idade”, deixa todos os novinhos no chinelo em termos de animação e disposição para o mergulho, a primeira a estar pronta no barco e a última a sair da água.

Paula Peçanha Loque, da Mar a Mar de Belo Horizonte, que com seu bom humor e tiradas diretas temperou a viagem com muitas gargalhadas e histórias.

Cadu Parissoto, da Mar e Ar de Bauru, meu xará, cara sossegado e parceiro.

Carolina Schrappe, da Acquanauta Mergulho de Curitiba, minha modelo sub número 01, parceira paciente e dedicada, sempre disposta para me ajudar a extrair o que há de melhor em cada ponto de mergulho.

Marcelo Rossi da Operadora de Turismo Squallo, irmão e “Big Boss” da trip, o maestro da orquestra, sempre preocupado em atender da melhor forma a todos.

Um especial agradecimento ao Andres e a toda a tripulação do Georgiana, que nos trataram como reis durante essa semana em “la Isla de la Junvetud”

VAI LÁ

A língua oficial da ilha é o Espanhol, mas os que trabalham com turismo tem um bom inglês.

A moeda oficial utilizada pela população é o Peso Cubano. Já o dinheiro utilizado pelos turistas é o CUC (de Cubanos Conversibles). Você deve trocar nos hotéis já em Havana, e o ideal é levar EUROS para isso. O dólar é aceito, mas é sobre-taxado em relação ao Euro.

Para chegar lá há duas maneiras principais saindo do Brasil, com a COPA AIRLINES, com conexão no Panamá, ou com a AVIANCA, com conexão em Bogotá.

É necessário Visto Cubano para entrar no país, mas o processo é rápido e simples. Seu Dive Center também se responsabilizará para conseguí-lo para você. O valor é de aproximadamente U$ 30,00.

A diferença de Fuso Horário é de duas horas a menos que o horário de Brasília. Mas como Cuba adota horário de verão no meio do ano e o Brasil no final/começo, esta diferença pode ser de 1 a 3 horas.

Não há grandes compras pra fazer em Cuba, como em outros destinos, além de um pouco de artesanato, mas não dá pra voltar de lá sem um pouco de Rum, um dos melhores do planeta, especialmente o Havana Cuba e o Legendário. Pra quem gosta, os famosos charutos são boa opção. Então, duas dicas boas de extensão de viagem, são ficar pelo menos dois dias inteiros livres para andar por Havana Vieja, e na volta uma noite em Bogotá ou na Cidade do Panamá.

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