Falar sobre os mergulhos na Laje de Santos é como falar sobre o quintal da minha casa, um dos lugares mais extraordinários para a prática do mergulho no Brasil, a Laje é como uma garota tinhosa, cheia de artimanhas e cheia de mistérios, tem dias em que ela se entrega, sem se fazer de difícil, com 40 metros de visibilidade e águas calmas, e em outros dias ela simplesmente resolve te cuspir para fora e te jogar num rock and roll submarino.

Os mergulhos nessa pedrinha que todos chamam de mágica, nunca são os mesmos, cada dia nos reserva surpresas diferentes, que vão de baleias e golfinhos, raias mantas a minúsculos e raros nudibranquios, é um mergulho que exige mais atenção, mas está longe de ser difícil desde que você siga as orientações dos operadores e dive masters acostumadas com esse lugar.

Sobre os Mergulhos:

Portinho, é a parte mais abrigada da Laje e fica voltada para o continente, é o lugar onde os barcos de operação mantém suas poitas, é bem protegido e geralmente permite um mergulho bem fácil e tranquilo, é possível avistar tartarugas, moréias e uma infinidade de peixes de recife como frades, marias da toca, budiões e com sorte é possível avistar arraias-chitas e em determinadas épocas do ano ( entre Junho e Agosto ) as gigantescas raias manta, que nessa época estão de passagem pelas águas do Parque.

Naufrágio do Moreia

É um antigo barco pesqueiro que foi afundado para servir de atrativo em meados dos anos 90, localizado na área do portinho, hoje encontra-se bem deteriorado e com as suas estruturas instáveis e com todo o casario tombado, a estrutura do casco com seus porões ainda esta inteira, mas não se recomenda a sua penetração, em determinadas épocas torna-se o lar de imensos cardumes de sardinhas, que buscam o seu interior para se abrigar de outros predadores.

Piscinas

Seguindo para a ponta direita da laje para quem a olha do continente, fica um dos mergulhos mais bonitos da Laje, uma formação que começa em uma grande rampa, habitada por tartarugas e que se estende até o fundo de areia, passando pela rampa na parte mais profunda chega-se a uma formação rochosa submersa que lembra uma piscina, que é o lar de diversos peixes, um dos lugares com maior agregação de vida, pois fornece abrigo das correntes oceânicas, é um dos meus locais prediletos, em dias de águas calmas é possível passar em um atalho a 3 metros de profundidade que conecta o portinho as piscinas e cair direto na parte mais profunda da formação que pode chegar aos 35 metros.

Parcel das Âncoras

No outro lado da rampa seguindo por alguns metros temos um pequeno parcel que começa aos 20 metros de profundidade e é rodeado por diversas âncoras perdidas de barcos pesqueiros que procuram o abrigo da Laje em dias de mar agitado. O topo desse parcel é conhecido como cabeço das âncoras e em dias de mar calmo também propicia um dos melhores mergulhos da região, com grande agregação de garoupas e cardumes de peixes de passagem, como enxadas, xaréus, bicudas e muitos outros.

Paredão

No outro lado da formação voltado para o oceano aberto é possível fazer um mergulho de correnteza ou drift, seguindo toda a parede, a uma profundidade de mais ou menos 20 metros existe uma fenda que abriga diversos peixes, se der sorte é um local onde pode-se avistar até tubarões e grandes peixes de passagem, fique atento ao azul, nunca se sabe o que vai aparecer.

Formação dos Calhaus

Ainda na área do parque a menos de 1 quilômetro de distância temos uma outra formação rochosa chamada de calhaus, é um mergulho fantástico que passa por um túnel que corta a rocha de um lado ao outro, com diversas passagens e formações, por onde passam as luzes do sol, tornando esse um mergulho único e singular, ao fim da passagem saímos em uma parede do outro lado da formação onde cardumes de peixes de passagem são facilmente avistados, é um mergulho que só pode ser realizado em dias de mar muito calmo.

Ainda existem diversos parcéis submersos que fazem parte da área do parque e são pouco visitados, devido as condições de mar da região.

A laje é um Parque Estadual Marinho, e como tal está sujeita a diversas regras e restrições, apenas os barcos credenciados tem permissão de operar comercialmente a atividade de mergulho autônomo no local, a Laje é uma pequena formação rochosa que está localizada a 22 milhas de distância da costa e abriga um pequeno farol, além de funcionar como lar de diversas espécies de pássaros, é considerado um mergulho oceânico e recomenda-se alguma experiência para mergulhar em suas águas.

Bons mergulhos na pedrinha mágica, e para conhece-la melhor consulte um operador credenciado ou a sua escola de mergulho.

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